Conservação e restauro

"Tal como os homens que as criaram, as obras de arte obedecem às três etapas da vida: nascimento, vida e morte. É nosso dever prolongar-lhes esse tempo de vida, preservando-as no tempo."


Tendo em conta a preservação de uma obra de arte, o procedimento de conservação é o primeiro processo a salientar. Analisar uma obra, determinar os seus constituintes e patologia permite-nos enfrentar os seus processos de degradação e preservar assim a obra ou os seus componentes. Como diz o ditado: "mais vale prevenir que remediar", a conservação procura, sustentada em bases científicas, eliminar as patologias da obra, tendo em atenção a sua integralidade e estabilidade físico-química, quer no aspecto, quer na constituição dos seus materiais.

Em primeiro lugar, tendo em atenção todos os testemunhos existentes, deve ser tido em conta a forma como o autor a executou, tanto no estudo dos materiais (proveniência, composição, etc.) como no estudo das técnicas usadas na sua execução.

Em segundo, é também necessária uma abordagem científica do estado desses materiais e suas patologias: descobrir as suas alterações, quer a nível patológico, quer a nível de intervenção humana que os possa ter adulterado. Nesse contexto é também necessário estabelecer um critério das intervenções a ser executadas e de todos os aspectos que devem ser preservados, não apenas o aspecto original da obra deve ser tido em conta mas também a sua pattina ou "envelhecimento", bem como outras alterações que a obra possa ter sofrido que agora fazem parte da sua história.

Desta forma, conservar "o que existe" implica anular todos agentes e elementos que possam por em causa a integridade da peça.

Tenta-se com esta atitude preservar todos os seus testemunhos e mensagens, quer directas, quer ocultas, pois ao contrário do restauro, a conservação não pretende uma intervenção "visível" na peça.


"A autenticidade de uma obra está na razão inversa das intervenções por ela sofridas."

Dentro deste conceito, é essencial referir a "conservação passiva" ou indirecta, que age sobretudo de modo a evitar que as peças se degradem, significa isto que é preciso estudar mais e intervir menos nos bens culturais, controlando o ambiente que os rodeia e defendendo-os de todo o tipo de agressões, sejam elas condições atmosféricas físicas ou ambientais, como temperatura, humidade, luminosidade, UV, Ph, vibrações do solo, o deficiente manuseamento humano, o ataque de xilófagos, líquenes entre outros.

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